sábado, 27 de abril de 2013

QUANDO ANOITECE

A noite sempre será um mistério.
Não pelo breu que carrega,
mas pela vontade de não dormir,
pelos bichos caçados que se escondem.
Procuro tua sombra nessas esquinas: não há.
É quando escurece que meu ombro esfria
e sente falta da tua mão.
Olhe para o céu: as estrelas parecem estar mais próximas.
Talvez estejam mais próximas a cada dia.

abril/2013

AO SEU LADO

Estive com você todos os dias
da minha vida.
Diga que sabes disso.
Estarei contigo todos os meses
que me forem concedidos, até o fim.
Todas as noites me sentarei para jantar ao seu lado.
Não com meu corpo,
pois isso não tem importância;
mas, sim, com minha alma.
Pois esta manhã,
aprendi nesse nosso lindo mundo,
que tudo é possível.

Para Jesus, abril/2013

DETETIVE

Descobri tuas mentiras.
Você nunca escutou aquele disco.
Jamais usou o casaco que dei.
Nunca leu aquele livro, tão lindo presente.
Minhas palavras são excusas para ti.
Como eu sei?
Caso contrário, saberias que todas esses poemas são teus.

fevereiro/2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A VIDA É UM DIA QUE PASSA

Quando falo com alguém
de olhos azuis,
converso mais com os olhos
do que com a pessoa.
É um céu compacto,
uma piscina de enxergar.
E permenecemos,
eu e aquele olhar,
perdendo o medo das coisas.
A vida é um dia que passa.
Fico no escuro para ouvir melhor :
quando os olhos azuis falam,
parecem cantar.

abril/2013

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

ESCREVO O QUE NÃO POSSO VIVER

Estamos sempre entre escolhas.
Seguimos a corrente, cortando as asas como os outros do bando.
Se eu tivesse coragem, escreveria muitas verdades aqui.
Mas cá pra nós, eu nem fumo!
E se fumasse, não seria por vício; acenderia cigarro para pensar.
Matutaria sobre tudo mas não ousaria esclarecer nada.
Não dá pra viver e tentar explicar.
Olho pra ti e estás distante por uma questão geográfica evidente,
e eu tenho pressa em alcançar o outro lado da rua.
Dada a minha limitada existência,
escrevo somente o que não posso viver.
Optei por postular-te único nesse altar.
Cerzi teu nome em todas as minhas roupas.
Beberico o vinho, mordisco o pão e penso em ti.

fevereiro/2013

A MENTIRA DO VERÃO

Quem mora no litoral sabe, ao acordar, quando o dia será insuportavelmente quente. Não é adivinhação; chamo de experiência. Aquele calor que sobe às orelhas e faz o asfalto tilintar. Eu, particularmente, considero um grande exagero os dígitos do termômetro acima dos 30 célsius. Não é chique nem proveitoso. Tudo desmonta. Há aqueles que adoram o deus-sol, dobrando a espinha em agradecimento ao bronzeado. Eu, não. Minha pele é branca, daquela brancura de saltar aos olhares mais preconceituosos - minha dermatologista passa a mão na minha cabeça e me elogia; alguém me entende. Eu sei, eu sei que o verão é o tempo da alegria-cores-carnaval. Mas essa estação está fora das minhas gestações. O fato é que não dá pra ser feliz de dezembro a março e chorar o restante do ano. Para que tanto teatro se é sempre manhã, tarde, noite, madrugada e manhã?

fevereiro/2013